8.14.2013

MISÉRABLE PROFILE ON: { AYRES BESPOKE TAILOR } PART II







Afternoon Dear Coquettes Misérables & Despicable Gentlemen ;)

After an unpredictable adjournment, I'm back with { AYRES BESPOKE TAILOR } MISERÁBLE PROFILE, PART II!
For those of you who haven't yet had the chance to take a look at the Part I you can see it here.

Without further ado, let's proceed to the Profile!


Boa tarde Queridas Coquettes Misérables & Despicable Gentleman ;)

Depois de um adiamento imprevisto estamos de volta, com a continuação do Misérable Profile do { AYRES BESPOKE TAILOR }!
Se não tiverem tido oportunidade de dar uma vista de olhos à 1ª parte podem fazê-lo aqui.

Sem mais demoras, vamos ao Profile!






We'll proceed with the interview and the results of the Photoshoot with both Grandfather & Grandson Ayres!

Ps: Have I told you yet that although he is already retired, Grandfather Ayres still shows up to work almost everyday's mornings?! It's amazing! 

Today I'll invite you to read this Post while listening to the playlist I've 'composed' specially for this. Hope you enjoy it!


Vamos prosseguir com a continuação da entrevista e os resultados da sessão fotográfica com ambos o avô e neto Ayres!

Ps: Já vos tinha dito que apesar de estar reformado, o avô Ayres continua a ir trabalhar com o neto praticamente todos os dias? É inacreditável!

Hoje, convido-vos a verem o Post acompanhados pela Playlist que 'compus' especialmente para este Misérable Profile!









M:  Tailors are known for mostly producing men's clothing; what sort of different styles and approaches can a tailor bring to women's clothes?

Ayres: As a rule of thumb, tailors are geared towards the classic style. When I do a piece for a woman, for example, I do a male-style coat (a tailleur) fit for the female body; I think that women look very sexy when they wear a male-style tux, because the clean aesthetics of the male tux accentuate the feminine silhouette wonderfully along with shining light on the wearer's charisma and own personality.

The elegance of a piece of clothing is given by the wearer; if the person wearing a jacket doesn't have the grace, charisma and style for it, the jacket'll never be as elegant on them as it will be on someone that can pull it off. A good piece of clothing brings out the wearer's best traits, physical and otherwise, and definitely favours them, but it's up to the wearer to give the piece its elegance and to walk as the clothes demand; often times this requires going into a persona and pulling a different aspect of your personality up.

For instance, I notice a gargantuan difference in my pace whenever I wear sneakers or shoes; my walk is completely different. (Laughter)


M: Os alfaiates são conhecidos por criarem maioritáriamente  vestuário masculino.
Que tipo de visão ou abordagem diferente é que um alfaiate pode trazer a um figurino feminino?

Ayres: Um alfaiate está direcionado para o estilo clássico, fundamentalmente. Quando executo uma peça para o sexo feminino, construo um casaco de estilo masculino para um corpo feminino; os chamados tailleur, tailleur de trespasse ou assertoados.
Assumo que uma mulher fica muito sensual  num smoking estilo masculino.
As formas mais depuradas do smoking de estilo masculino acentuam a silhueta feminina, dando enfâse também à sua personalidade e carisma pessoal.

A elegância de uma peça é dada por quem a veste. Uma peça por si só, não transmite elegância se quem a veste não tiver graça, carisma, personalidade e estilo. Se esta for construída de acordo com os atributos físicos da pessoa, tanto melhor, porque favorece quem a enverga.






M: Are there any difference between the worlds of national and international tailoring? If so, what are they?

Ayres: Many, starting in how one builds/ performs a piece.
I remember that when I started in London, I used to see tailors sewing on top of the table whilst sat on the table instead of working while seated in a chair.

M: Wait, ON the table?!

Ayres: Exactly! They were sat on the table in a very comfortable position, and to be honest they looked to be far more comfortable than they would be had they be sitting normally - And I remember asking to myself, "What the hell's going on with these tailors?!

M: I imagine so! (Laughter) We grow up always hearing - Don't sit on the table!!

Ayres: Exacly! However I ended up finding it so cool stitching on the table.
In this case, we're talking about a different work method.

You also find some differences when it comes to the actual work style; I'm not trying to bash Portuguese tailoring here, especially because I consider it a hallmark of quality, but English tailoring is without a doubt of extreme quality and one of my favourites.
English and Italian tailoring are some of the best known in the world; the English and Italian cuts are considered some of the most elegant ones; when it comes down to the build of the clothing, however, I have to give it to the English style.

On the national tailoring, though, I think that most Portuguese tailors are essentially the same in style and practices because most of them studied the same system. There hasn't been an emigration of foreign tailors to Portugal...

In London, my collegues were greek, polish, spanish and italian. They all had a very different work method, different technics and mentalities. It was very positive to have had the chance to trade knowledge with these professionals. Socializing has definitely contributed to the improvement of everyone's techniques. We've learned with eachother, through observing, talking and practicing and eachone of us ended building and perfecting its own style/ methods of cut and construction.


M: Existe(m) alguma diferença ou diferenças entre o universo da alfaiataria a nível nacional e internacional? Quais?

Ayres: Muitas. A começar na forma como se executa.
Recordo-me que quando começei a trabalhar em Londres os alfaiates cosiam sentados em cima da mesa em vez de coserem sentados numa cadeira! 

M: Sentados em cima da mesa?

Ayres: Exactamente, sentados em cima da mesa, numa posição bastante cómoda, provavelmente ainda mais cómoda do que se estivessem sentados numa cadeira e lembro-me de ter pensado — O que se está a passar com estes alfaiates!!

M: Imagino! (risos) Nós crescemos habituados a ouvir – Não te sentes em cima da mesa!

Ayres: Sim, não te sentes em cima da mesa! (risos) Achei tão cool coser em cima da mesa.
Neste caso, estamos a falar de uma diferença de processo de trabalho.
A nível da alfaiataria, existem sim. Não estou a dizer mal da alfaiataria portuguesa, que considero ser uma referência de qualidade, também porque sou português, mas a alfaiataria inglesa é sem sombra de dúvidas de altíssima qualidade e uma das minhas preferidas. As alfaiataria inglesa e italiana são das mais conceituadas do mundo, o corte italiano e inglês são considerados dos cortes mais elegantes e contemporâneos.
Sobre a alfaiataria nacional, acho que todos os alfaiates são semelhantes, devido ao facto de todos terem aprendido pelo mesmo sistema. Não houve uma emigração de alfaiates estrangeiros para Portugal...

Em Londres, os meus colegas eram gregos, polacos, espanhóis, italianos. Todos praticavam um estilo de trabalho diferente, técnicas diferentes e pensamentos diferentes. Foi muito positivo conviver e também trocar conhecimento com estes profissionais.O convívio contribuiu para o enriquecimento das técnicas de todos. Aprendemos uns com os outros, a observar, a conversar, a praticar, e cada qual foi aperfeiçoando o seu método de corte e construção. 





M: What are, in your opinion, the most elegant cities in the world?

Ayres: London, without any doubt! A few Lords go hunting in a suit & tie... This says a lot... London is an extremely elegant organized and clean city. Everything is very organized 'till the last inch, the streets seem to have build out of Legos, because everything's very straight (in Golden Mile's perimeter). Rome, Milan, Madrid and Paris, are also cities were style prevails.

M: Italians are generally less shy when it comes to color.

Ayres: Indeed. Italians, much like the spanish are far more confident with color coordination and I believe that that's because they're both Southern European countries. Portugal, Spain and Italy are countries which climate allows to wear lighter tones, whereas in the North and Center european countries, due to the grayish sky, citizens are a bit more shy when it comes to wearing brighter colors. I don't mean to say there aren't those who do it, they do but in a fairly sharp minority.


M: Maybe it's a cultural inheritance, because just last year, during my vacations in Italy, I got the impression that italians value more their culture...
Everyone that I saw, whether heading to the beach or to work were dressed very elegantly. Everyone had this latent eye for style...

Ayres: Of course; after all, the italian society is very connected to style. It's a common saying that the common italian man has an awfully looking car and house but an always impeccable wardrobe! (laughter)


M: Quais são, na tua opinião, as sociedades / cidades mais elegantes?


Ayres: Londres sem dúvida! Alguns Lords vão á caça de fato e  gravata... Isto quer dizer muito.... Londres é uma cidade extremamente elegante, organizada e limpa. É tudo muito organizadinho, as ruas parecem ter sido contruídas com Legos, tudo muito direitinho (no perímetro da Golden Mile). Roma, Milão, Madrid e Paris, são de igual modo cidades onde o estilo permanece. 

M: Os italianos são menos tímidos no que diz respeito à cor.

Ayres:  Sim, os italianos, assim como os espanhóis, são menos tímidos no que diz respeito à mistura de cor devido ao facto de estarem geográficamente localizados no Sul da  Europa. Portugal, Espanha e Itália, são países cujo clima permite usar cores claras, enquanto que no Centro e Norte da Europa, o céu é maioritariamente cinzento, o que torna os cidadãos mais tímidos no que respeita a vestir cores mais abertas, mas não quero dizer com isto que não os há. Existem mas numa minoria bastante acentuada.


M: Talvez seja uma questão cultural, pois no ano passado fiquei com a sensação de que os italianos em geral, davam mais valorização à tradição, por assim dizer.
Qualquer pessoa que passava na rua, quer fosse para a praia ou trabalhar ia vestida de forma elegante. Notava-se que havia ali qualquer coisa, uma sensibilidade...

Ayres: A sociedade italiana está genéticamente ligada ao estilo. É costume dizer-se que o italiano comum, tem a casa e o carro com muito mau aspecto, mas o guarda fatos está sempre impecável. (Risos)




M: Which is or which are the most challenging pieces?

Ayres: Without a doubt, a tailcoat or a tuxedo. Although, when it comes to the Bespoke work, to the handcrafted construction, the pure tailoring, every piece is a challenge. And no piece is going to be like any other one. From the moment when we cut, we can cut 2 or 3 suits for the same client, that for a fact none of them will be equal to each other.

If someone asked for your take on it as a consultor regarding what pieces or pieces are the most important in a wardrobe, which would you select? Or, for instance, if a client needed to renovate their wardrobe, what pieces would you consider essential?

Ayres: It'd all depend on the client and their lifestyle. If it were someone that frequently went to cocktail parties and galas they'd obligatorily have to own one or two tuxedos, one for winter and one for summer. Along with that, I would suggest a good tailcoat, actually once again one for winter and one for summer, for morning ceremonies. And four, five or six suits with a good cut are essential in a masculine wardrobe. An anthracite grey and a midnight blue are the kind of basics that fit every occasion. (Laughter)


M: Qual é ou quais são as peças mais desafiadoras?

Ayres: Sem dúvida, um fraque ou um smoking. Embora, nesta área do Bespoke, da construção manual, da pura alfaiataria, todas as peças sejam desafiadoras. Nenhuma peça vai ser igual a outra. A partir do momento em que cortamos, podemos cortar 2 ou 3 fatos para o mesmo cliente, que nenhum fato vai ser igual ao outro de certeza absoluta.

Se te pedissem a tua opinião, como consultor, sobre qual a peça ou peças mais importantes ou com um maior impacto, num guarda roupa, quais selecionarias? Ou se um cliente precisasse de fazer uma renovação no guarda roupa, quais seriam as peças essenciais?

Ayres: Dependeria do cliente e do seu estilo de vida. Caso seja um indivíduo que vai com frequência a cocktails ou jantares de gala, tem que possuir obrigatóriamente um ou dois smokings. Um de inverno e outro de Verão. Sugiro um bom fraque, um de inverno e um de verão. 4, 5 ou 6 fatos com um bom corte são essenciais num guarda roupa masculino. Um cinzento antracite e um azul meia noite são os básicos que servem para qualquer ocasião. (risos) 





M: In your opinion, what do you think characterizes the essence of tailoring?

Ayres: Fundamentally the tradition, the Art, it's detail & the relation 'tailor - client - friend'.


M: Na tua opinião, o que é que caracteriza a essência da alfaiataria, a alma?

Ayres: 
Fundamentalmente a tradição, a Arte, a minuciosidade da coisa, a relação 'alfaiate - cliente - amigo'.






M: As a curiosity... I've noticed that you normally wear socks matching one of the pieces you're wearing. Were does that tradition come from?

Ayres: You're the first person to ask me that! I have a huge thing about socks. Besides, it doesn't happen everyday, but if I told you how many times the clothes I wear are determined by a given pair of socks, you wouldn't believe it.

It's true and if you check out my wardrobe you can see that I have green, light blue, pink, yellow, red, white...  Socks of every possible color.
I hate socks with stripes and I'm really fond of those winter socks, with losangles, the ones we used to wear when we were little.
I used to wear those a lot when I lived in England, because of the cold cold weather. Here I don't use them as much. Today, I'm actually not wearing any socks. I like that too, even during the Winter, but perhaps that's because they're all being washed. (Laughter).

M:  I noticed your grandfather also uses socks matching some detail of the clothes that he's wearing. Could it be a family tradition?

Ayres: I think not. At least not conscientiously. I don't recall seeing my grandfather using red socks during my childhood... It's a habit of mine, some of these days I must have walked into a store, in some part of the world and have seen socks of different colors and I thought "Damn it, why do they exist, who wears these socks?". 
Sometimes we see smartly dressed people, with a fancy suit, a good shirt, a nice pair of shoes and with a dull and full with pilling pair of socks.



M: Uma curiosidade... Reparei que costumas usar as meias a combinar com uma das peças de roupa. De onde vem essa tradição?

Ayres: És a primeira pessoa que me pergunta isso! Tenho uma panca enorme por meias. Aliás, não acontece todos os dias, mas se te disser que por vezes visto determinada roupa porque quero calçar um par em particular de meias, é inacreditável. 
É verdade e se fores ver o meu guarda fatos tenho meias verdes, azuis clarinhas, cor de rosa, amarelas, vermelhas, brancas... de todas as cores. Detesto meias às riscas e gosto muito daquelas meias de inverno aos losângulos que usávamos quando éramos miúdos.
Usava muito essas meias quando vivia em Inglaterra por causa do frio. Cá não uso, aliás hoje até estou sem meias, que também não desgosto de todo! Até no Inverno por vezes não uso meias, mas isso deve ser porque estão todas para lavar. (Risos)

M: Reparei que o teu avô também usa normalmente meias a combinar com algum pormenor da roupa que tem vestida. Será uma tradição de família?

Ayres: Acho que não, pelo menos não conscientemente. Não me recordo de ver o meu avô quando eu era pequeno com umas meias vermelhas... É uma panca minha, um dia qualquer devo ter entrado numa loja em qualquer parte do mundo e ter visto meias de cores diferentes!  Bolas para que é que existem, quem é que calça estas meias? Por vezes vemos pessoas com um bom fato, uma boa camisa, uns bons sapatos e com um par de meias sem graça e cheias de borboto.






M: What are the places that you consider most interesting to learn the art of tailoring in the world?

Ayres: Italy, England and France.



M: What awaits a young, aspiring tailor?

Ayres: A young or aspiring tailor will find a lot of work and suffering ahead. Tailoring is for those who really love it; nowadays one can't learn it if in a contradicted state of mind.


M: What advice would you give to an young, aspiring tailor?

Ayres: I'd tell them to believe one hundred percent in the Art and to both learn and practice as much as possible. That's what I were told to do. The rest comes as an extra.



M: Quais são os locais que consideras mais interessantes, para aprender a arte da alfaiataria, a nível mundial?

Ayres: Itália, Inglaterra e França.

M: O que é que espera um jovem alfaiate ou aspirante?

Ayres: Espera-o muito trabalho e sofrimento pela frente. A alfaiataria é para quem gosta, nos dias de hoje não pode ser aprendida de uma forma contrariada.


M: Q conselho(s) darias a um jovem aspirante a alfaiate?

Ayres: Dir-lhe-ia para acreditar a 100% na Arte. Aprender e praticar bastante foi o que me disseram para fazer. O resto vem por acréscimo.








M: Have you had any apprentices?

Ayres: Not yet... I've stopped being an apprentice just 3 or 4 years ago. I'd love to teach someone, that's something I obviously want to do, but I want to teach someone that is really interested in learning and in making tailoring its profession.


M: Já tiveste algum aprendiz?


Ayres: Ainda não...  Deixei de ser aprendiz à pouco tempo, há 3 ou 4 anos. Gostava de ensinar alguém, aliás, quero ensinar óbviamente, mas quero ensinar alguém que esteja realmente interessado em aprender e fazer da alfaiataria a sua profissão.






M: Out of personal curiosity, what are the necessary tools for a tailor?

Ayres: A needle, a scissor, a thimble, an iron, chalk and fundamentally your head, because as my grandfather says - My toolbox is my head. And it's true. 

I can make a suit or a jacket in any part of the world with just a scissor, a needle and a thimble. I can go to Tokyo, be in a hotel room for a week and do whatever I want with just those tools. My toolbox is my own head. Funny... Knowledge is everything.



M: A título de curiosidade pessoal, quais são as ferramentas de trabalho essenciais para um alfaiate?


Ayres: Uma agulha, uma tesoura, um dedal, um ferro, um giz e fundamentalmente a cabeça, porque é como o meu avô diz — a minha caixa de ferramentas é a minha cabeça. É verdade. Eu posso fazer um fato ou um casaco em qualquer parte do mundo, apenas com uma tesoura, uma agulha e um dedal. Posso ir para Tóquio, estar num quarto de hotel durante uma semana e fazer o que quiser apenas com estes instrumentos. A minha caixa de ferramentas é a minha cabeça. Engraçado... O conhecimento é tudo.






M: Do you have a favorite kind of fabric that you enjoy working with in particular?

Ayres: Yes. There are fabrics that are more indicated to this kind of work than others, namely thicker fabrics. It's not that they're easier to handle, but they're better suited for a tailor's work. With a thicker fabric we get better results.

The thinner fabrics are a lot more complicated to work with nowadays, because the major fabric producers focus on mass consumption, and not on producing fabrics that are proper for our line of work, due to the fact that there are increasingly lesser tailors.


M: Gostas mais de trabalhar com algum tipo de tecidos em particular?

Ayres: Sim. Há tecidos que são mais indicados para este tipo de trabalho do que outros, nomeadamente tecidos mais grossos. Não é por serem mais fáceis de manusear, mas para o tipo de trabalho que um alfaiate pratica, com um tecido mais grosso, obtemos um melhor resultado. Os tecidos mais finos, são muito mais complicados nos dias de hoje porque os grandes produtores de tecidos produzem-nos para a confecção em massa (confecções), não para os alfaiates, devido ao facto de haver cada vez menos alfaiates.







M: Ayres, which was the piece or set of pieces you've most enjoyed making?

Ayres: Probably the trousers with colored buttons I've made when I was 14 years old. The buttons were made of colored mother pearl, and the trousers were a light blue tone. I ended up selling them to a friend of mine later.

The pieces I made used to be a huge hit. My friend liked the trousers so much that he asked me to make him a new pair. It were those little things, those little moments, in which I got recognition from others, that made me realize I was on the right track.

One of the funniest experiences I've had was when I was living in London and I've made a shirt with this white fabric with a strawberry pattern that I got at a local fabrics shop. Such an amazing shirt and they only had that fabric... After a while I came back to Lisbon, on holidays and I had gone to Tamariz, a club in Estoril, and several people complimented the shirt. Later that night a guy comes to me and tells me — Please sell me that shirt, I want that shirt, sell it to me! — I just remember thinking: What the hell is going on? I took of the shirt and I sold it to him.


Then and there I concluded - Ayres, that's it! You're on the right track!

M: Ayres, qual foi a peça ou conjunto de peças que mais gosto te deram fazer ou projectar?

Ayres: Provavelmente as calças com botões às cores que fiz quando tinha 14 anos. Os botões eram madrepérola, as calças azuis claras. Acabei por as vender a um amigo meu depois. As peças que fazia costumavam ter um enorme sucesso. O meu amigo gostou tanto das calças que me pediu para lhe fazer umas. Foram essas pequenas coisas, esses pequenos momentos que me fizeram perceber que estava no caminho certo. Havia reconhecimento do público e senti que estava no caminho certo.


Uma das experiências mais engraçadas que tive foi, quando ainda vivia em Londres e fiz uma camisa com este tecido (branco com um padrão de morangos) que comprei numa loja de tecidos na cidade. Uma camisa espectacular e só havia este tecido... Às tantas, vim passar férias a Lisboa, e tinha ido ao Tamariz, uma discoteca no Estoril e várias pessoas me tinham elogiado a camisa. A determinada altura vem um tipo ter comigo e diz-me — Por favor, vende-me essa camisa, eu quero essa camisa, vende-me essa camisa! - e eu só me lembro de ter pensado: O que é que se está a passar?! Tirei a camisa e vendi-lha.


Aí concluí – Ayres, é isto! Estás no bom caminho!










A little sneak peek into more examples of Ayres's Bespoke Shoes!

Uma pequena amostra de alguns exemplos dos Ayres's Bespoke Shoes, também feitos à medida!









This Misérable Profile is arriving to an end but you can find out more about Ayres's work at his  website here or at the official FB page here.


Este Misérable Profile está mesmo quase a acabar, mas podem descobrir mais sobre o trabalho do Ayres através do seu website aqui ou da página oficial do FB aqui.



Pictures taken with my amazing partner in crime Kapsico  exclusively for La Coquette Misérable. All rights reserved.



Hope you've enjoyed this double and dare I say special Misérable Profile edition!

I would like to thank both Grandfather & Grandson Ayres, for kindly accepting my invitation and for having been wonderful during the elaboration process of the Misérable Profile!

I would also like to thank Kapsico, for his infinite patience and indispensable colaboration with the photoshoot & Dave & Miguel for the amazing help in making sure the english version was equally well written as the portuguese ,P


Espero que tenham gostado deste edição dupla e atrevo-me a dizer especial do Misérable Profile!

Gostaria de agradecer a ambos, avô e neto Ayres, por gentilmente terem acedido ao meu convite e pela paciência e colaboração inestimáveis durante o processo de elaboração do Misérable Profile!

Também queria agradecer ao meu parceiro de crime, Kapsico, pela sua paciência infinita e colaboração inestimável & ao Dave e ao Miguel pela igualmente valiosa ajuda em assegurar que a versão inglesa deste Profile ficasse tão bem escrita como a portuguesa ,P






Wish you guys a lovelly day!
Bisous,


Desejo-vos a continuação de um <3 dia!
Bisous,














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